Negócios Digitais

A pegada digital: o recurso invisível da economia digital africana

A pegada digital: o recurso invisível da economia digital africana

Cada actividade realizada online pode deixar um rasto de informação. Conhecida como pegada digital, esta informação tornou-se cada vez mais valiosa à medida que a economia digital africana cresce, trazendo centenas de milhões de pessoas para o ambiente digital e oferecendo às empresas novas formas de compreender os consumidores e desenvolver serviços.

A pegada digital abrange todas as informações que uma pessoa deixa através da sua actividade digital. Alguns dados são fornecidos de forma deliberada, como fotografias, comentários ou informações introduzidas durante a criação de uma conta. Outros podem ser gerados sem uma acção directa do utilizador, através do dispositivo utilizado, dos dados de localização, da navegação na Internet ou das interacções com uma plataforma.

Desta forma, uma pessoa pode deixar rastos digitais sem publicar qualquer conteúdo. Visitar um sítio web, utilizar uma aplicação, efectuar um pagamento ou assistir a um vídeo pode gerar informação passível de ser armazenada e analisada. À medida que estes rastos se acumulam, tornam-se capazes de fornecer uma visão mais detalhada dos hábitos do utilizador e até permitir inferências sobre determinados comportamentos.


África gera mais dados à medida que a utilização digital aumenta

A rápida expansão dos serviços digitais aumentou significativamente a dimensão deste fenómeno. Segundo a GSMA, 416 milhões de pessoas utilizaram Internet móvel em África em 2025, enquanto cerca de 63% da população vivia em áreas cobertas por redes móveis, mas não utilizava serviços de Internet móvel.

À medida que mais pessoas se ligam à Internet, pesquisas, comunicações, pagamentos e outras interacções digitais geram volumes crescentes de dados.

As tecnologias e os serviços móveis geraram 240 mil milhões de dólares em valor económico em África em 2025, o equivalente a 7,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente. A GSMA prevê que esta contribuição aumente para 290 mil milhões de dólares até 2030.

Quando as pegadas digitais se transformam num recurso económico

Para as empresas digitais, esta informação permite compreender melhor os utilizadores, melhorar serviços e adaptar ofertas a diferentes perfis de clientes.

No sector financeiro, os dados de transacções ajudam as empresas a conhecer melhor os clientes e a identificar actividades invulgares. No comércio, a análise do comportamento dos consumidores permite adaptar produtos e campanhas de marketing a diferentes segmentos de mercado.

Os dados tornam-se, assim, um recurso estratégico que as empresas podem utilizar para medir a procura, desenvolver novos serviços e automatizar determinadas decisões. Contudo, o crescente valor económico dos dados também cria riscos relacionados com a sua utilização indevida e com os desequilíbrios entre os diferentes intervenientes que os recolhem, controlam e utilizam.

A questão mais importante é aquilo que os dados podem revelar

Uma pegada digital vai muito além da informação fornecida directamente por uma pessoa. A combinação de diferentes tipos de dados pode permitir que empresas e outras organizações construam perfis detalhados ou deduzam determinados comportamentos.

Por exemplo, uma sequência de pesquisas, visualizações de conteúdos, deslocações ou transacções pode revelar interesses, preferências e hábitos de um utilizador.

A inteligência artificial reforça esta capacidade ao permitir a análise rápida de grandes volumes de informação e a identificação de padrões presentes nesses rastos digitais. Dessa forma, torna-se possível extrair conhecimento valioso sobre comportamentos, tendências e necessidades dos consumidores a uma escala sem precedentes.